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COMIDA, MEMÓRIA E SEXTO SENTIDO

Publicado por em 27 nov, 2017 em Destaques, GASTRONOMIA | 2 comentários

COMIDA, MEMÓRIA E SEXTO SENTIDO

(texto de janeiro de 2017) 

Na última semana fui ao restaurante Tacacá do Norte, no Flamengo. Crente, por algum motivo não aparente, que ia imediatamente me apaixonar pelo prato típico que dá nome ao lugar, veio a decepção. O tacacá não era o que eu esperava. Apesar de ter absoluta certeza de que estava ótimo e feito da maneira mais genuinamente paraense, o sabor do prato não me agradou e, ao mesmo tempo, não se parecia com nada que já tinha comido. Aí veio a triste, porém inevitável constatação.

Aqueles sabores não estavam de modo nenhum ligado à minha memória afetiva, seja por conta dos ingredientes, do modo de preparo ou cheiro que aquele prato exalava. Definitivamente concluí que comer é algo instintivo e necessário, mas encontrar conforto e reconhecimento pela comida é algo que vem de um lugar muito mais interno, a alma.

Não há memória que impeça alguém de se apaixonar por um prato novo ou até mesmo passar a sentir forte relação afetiva com o mesmo, dependendo do momento em que esteve em contato com aquele alimento ou da situação de vida a que ele remete. A questão é mesmo essa, a força que o alimento tem na vida de cada um, o que nos torna mais uma vez seres de profunda complexidade, deliciosamente imersos em nossas diferenças, sejam elas gastronômicas ou de outro tipo.

Ouso dizer que a comida está diretamente ligada à memória por um sexto sentido que ultrapassa o ato físico que é se alimentar. Comer e se recordar da infância, de um momento lindo que viveu ao lado de um amor, doa boas lembranças de alguém que já se foi, de uma viagem que fez com os amigos, das situações em que esteve sozinha sentada em um restaurante. Essas e tantas outras situações nos trazem não só cheiros, gostos, texturas, imagens e sons, mas também sensações que, sejam eles boas ou ruins, de alguma forma se mostraram marcantes.

As experiências gastronômicas são de caráter fundamental para conhecer e reconhecer sabores e saberes. Sejam elas satisfatórias ou não no quesito gosto, nos fazem pensar e entender a importância enorme de valorizarmos as raízes alimentares e culturais de um povo. E por que não começar com nossas próprias origens? Revisitar aquela velha receita de família, procurar saber de onde ela veio e por qual motivo se perdeu no tempo. São essas pequenas e outras grandes ações que dela podem derivar que confirmam o verdadeiro poder do alimento em uma sociedade, para não só descobrir quem realmente somos, mas qual o motivo de estarmos aqui.

Atividade sobre “Comida e Memória”, para o curso de extensão em Jornalismo Gastronômico da FACHA – RJ, com a jornalista Juliana Dias. 

2 comentários

  1. Sinto o cheiro da pizza da Nonna até hoje.

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