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Piracaia Orgânica

Publicado por em 17 abr, 2015 em Da terra, Destaques | 1 comentário

Piracaia Orgânica

Precisei sair e voltar para Piracaia para conhecer melhor a cidade em que nasci. Para poder valorizar o ar, a montanhas e o solo daqui. Em uma cidade do interior, em que a natureza está por onde quer que a gente olhe, ainda existe uma distância muito grande entre o homem do campo e o da cidade.  Quando saí daqui, também tinha essa visão. Foi só a partir de experiências e a descoberta da culinária, que parei para pensar sobre a origem do alimento.

Hoje, estou de volta com um novo olhar e disposta a valorizar as vantagens dessa proximidade com o produtor para o consumo de alimentos. A intenção agora é trazer para mais pessoas, sobretudo da cidade, a importância de se repensar a relação essa relação, para a saúde do homem e do planeta. E, nesse caso, aproveitar o privilégio que é ter tudo isso ao nosso alcance.

A feirinha

Todo esse desabafo só tem um objetivo: sensibilizar e convidar os moradores de Piracaia e região para conhecer a Feira do Produtor Rural, que está de volta na cidade há pouco mais de um mês. A Feira do Produtor é uma parceria da Associação dos Produtores Rurais de Piracaia com o Sindicato Rural da cidade. Nas palavras de Celso Moro, diretor-secretário do Sindicato, “A feira tem finalidades modestas, porém legítimas e válidas”. Celso é também produtor rural local de pequenas frutas vermelhas, como a amora preta, além de outros produtos, que ainda estão em início de cultivo.

Desde o dia 20 de março, a feira acontece no pátio do Sindicato Rural de Piracaia, toda sexta-feira, a partir das 16h e vai até o fim dos estoques, “Nas duas primeiras vezes, em uma hora e meia, já não tinha mais nenhum produto vegetal praticamente”. São cerca de dez produtores e os produtos vão desde os in natura, como hortaliças, legumes e flores, até pão integral, geleia de amora e paçoca.

Para Celso, o evento é uma oportunidade para o pequeno produtor rural local, que não tem um mercado firme e definido para oferecer seus produtos frescos e de qualidade, “Isso implica em uma relação direta de quem produz com quem compra e faz transitar uma série de informações, de contatos. A tendência é que isso se firme realmente, não apenas como um espaço de comércio, mas também em um espaço de trocas e conhecimento”, completa Moro.

A feira já conta com um público firme e assíduo, como é o caso da consultora e pesquisadora em orgânicos Anayde Lima. Há poucos meses, Anayde veio de São Paulo para Piracaia e confessa que no início foi difícil não encontrar os alimentos que costumava utilizar, inclusive nos supermercados. Com o surgimento da feira, Anayde se encontrou, mas sabe o quanto ainda é importante o envolvimento das pessoas para difundir o movimento, “trazer isso para os moradores, para as pessoas que frequentam a cidade, de saberem que tem todos esses produtores aqui em volta e eles têm que ter mais acesso, tem que estar na casa de todo o mundo os produtos sem agrotóxicos”.

Família Orgânica

O produtor rural Dercilio Pupin, da Família Orgânica, chegou a Piracaia para dar assessoria em um sítio, quando encontrou aqui, além de terra para produção, um ambiente propício, com pessoas que estavam atrás do mesmo objetivo que ele. Logo esse grupo se reuniu e implantou o movimento de transformar Piracaia em uma cidade orgânica.

Para Pupin, que também é vice-presidente do grupo Piracaia Orgânica, falar do orgânico “é um movimento cosmológico, que está acima inclusive das nossas capacidades, o planeta está pedindo isso, nós estamos sendo impulsionados por ele, é um caminho sem volta”.

Para ele, a produção de orgânicos e o trabalho com a agroecologia é providencial em termos de combate à fome e em relação às questões que preocupam o mundo, como as mudanças climáticas.

“É uma saída para a segurança alimentar, para a nossa saúde”.

Pupin acredita que esse é o caminho para a humanidade, “seja no movimento gastronômico, seja para quem produz, seja para quem pensa na preservação do meio ambiente, está tudo interligado”, finaliza ele.

Gratidão

Não posso de concluir meu texto sem agradecer a Sonia Campos pelo carinho, pela nova amizade, e por ter me apresentado a cidade como nunca eu tinha visto… E vivam os encontros!

 

 

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