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Alimento, cultura e educação

Publicado por em 13 abr, 2015 em Destaques, PROJETOS | 0 comentários

Alimento, cultura e educação

A relação do homem com o alimento
precisa ser revista.
Precisamos aproximar o saber do comer,
o comer do cozinhar, o cozinhar do produzir,
o produzir da natureza;
agir em toda a cadeia de valor,
com o propósito de fortalecer os territórios
a partir de sua biodiversidade, agrodiversidade
e sociodiversidade, para garantir
alimento bom para todos e para o ambiente.

O manifesto acima define claramente o objetivo principal do Instituto Atá, criado há dois anos pelo Chef Alex Atala. Por meio de projetos específicos, o Instituto busca mudar a situação das cadeias produtivas de alimentos brasileiros. Para isso, conta com um grupo de profissionais de diferentes áreas do conhecimento em seu conselho.

visitflanders/Creative Commons

A iniciativa que virou referência na fundação do Instituto foi o trabalho com a pimenta baniwa, na Amazônia. Em parceria com o Instituto Socioambiental, o ISA, foram criadas cinco casas de pimenta, com o objetivo de valorizar o trabalho ancestral que o povo Baniwa fazia com a pimenta jequitaia, em São Gabriel da Cachoeira (AM). Através da imagem do Atala, o Instituto participa da divulgação do produto para o mercado gastronômico, fazendo a conexão entre comunidades produtoras e consumidores.

O Atá também fomenta pesquisas e discussões a fim de legalizar o mel de abelhas nativas para comercialização efetiva. “Hoje o mel precisa ter inspeção federal e, no caso, esses méis vêm de comunidades que às vezes nem têm estrutura para isso. Isso precisa ser considerado. Não que a segurança alimentar não deva ser percebida, mas precisa ter uma adaptação de alguns critérios para poder acontecer uma atividade que acontece há milênios”, comenta Georges Schnyder, membro do conselho do Instituto.

Crédito: Ricardo D'Angelo

Georges Schnyder também é presidente do Slow Food no Brasil, diretor executivo da Editora 4Capas e diretor de publicidade da revista Prazeres da Mesa

 

O novo produto de trabalho do Atá é a baunilha do Cerrado. De acordo com Georges, a baunilha é referência, pois só é endêmica onde o bioma está preservado. Quanto à qualidade, ele afirma que a fava da baunilha do Cerrado é muito mais potente do que a tradicional. Mas para conservar o produto, é preciso constituir mercado. E é nesse momento que surge o papel do chef, “fazendo com que isso vire um ingrediente, você mantém força dentro do Cerrado e uma resistência em relação à manutenção do bioma”.

 

Cultura e educação

“Se comer é cultura, precisamos mudar a educação das crianças. Com uma grade curricular adequada, ensinando a criança a ter contato com o alimento, você começa a criar uma consciência cultural”. As palavras de Georges Schnyder se referem à campanha Eu como cultura, criada pelo Instituto Atá. A iniciativa busca a valorização da cultura alimentar do Brasil por meio de iniciativas do poder público e o abaixo-assinado pode ser encontrado online.

No ano passado, o Instituto Atá e a Gastromotiva, criaram o programa Gastronomia nos presídios. Até agora, são duas turmas formadas no presídio feminino de São Paulo e quatro mulheres já estão empregadas. Para Georges, esse é um exemplo muito forte de politica publica, “Você muda a vida de uma pessoa através da gastronomia. É uma ferramenta de transformação social muito forte”.

Crédito: Rubens Kato

Biomas do Brasil

A novidade é que o Instituto Atá fez um acordo com a Secretaria de Abastecimento da Prefeitura do Município de São Paulo para administrar sete espaços do Mercado Municipal de Pinheiros. A ideia é trazer para o local uma representação do que é o Brasil, “O Cerrado, a Amazônia, a Mata Atlântica, os Pampas vão estar fisicamente no mercado vendendo produtos, comidinhas e mostrando essa cultura gastronômica”, conta Georges Schnyder.

“Tudo em prol de mostrar uma cadeia do alimento muito mais fechada, em que você vai do produtor até o consumidor, dando sustentabilidade em toda essa cadeia”

Os boxes devem entrar em funcionamento a partir do segundo semestre desse ano.

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