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Alimento da alma

Publicado por em 4 abr, 2015 em Destaques, Por aí | 0 comentários

Alimento da alma

Crédito: Ana Laura Mosquera

No último domingo (29), terminava a exposição Alimentário na Oca do Ibirapuera, e eu corri até São Paulo no sábado para não me arrepender depois. Valeu a pena! A exposição era linda, muito organizada e nada cansativa. Isso porque havia um pouco de tudo: documentários, pinturas, esculturas, fotografias, instalações interativas e painéis um tanto quanto inovadores. De forma leve, e nem por isso menos densa, era conduzida pela história da alimentação do Brasil, numa clara fusão entre passado e presente.

Crédito: Ana Laura Mosquera

Os tais painéis traziam produtos de diferentes marcas e produtos que, de alguma maneira, remetem à história alimentar do país, contada por meio de um esquema em uma lousas os objetos apareciam encostados (foto).

Entre as obras interativas, estava Antes que eu te ingula Carrocellflower, de Ernesto Neto (foto), que transportava para o universo dos aromas das especiarias: açafrão, pimenta-do-reino, cominho e cravo.

Crédito: Ana Laura Mosquera

Entre elas, também tinha trabalho de Hélio Oiticica, com a instalação B50 Bólide – Saco 2 Olfático (1967). Do simples cano de plástico, o cheiro de café tomava minha mente e me fazia lembrar o pós-almoço na casa da avó.

Comida é história, arte e espiritualidade

Muitas obras remetiam aos ciclos econômicos do Brasil Colônia, assim como os textos espalhados pelo subsolo da Oca. De Câmara Cascudo ao chef Alex Atala, as citações espalhadas pelas paredes, faziam uma ponte entre passado e presente.

“Nem caipirinha, nem arroz e feijão. Se tivesse de definir um ingrediente símbolo do Brasil, ele seria a mandioca” (Alex Atala)

Até a carta de Pero Vaz de Caminha estava presente, com sua onírica descrição do país e, por consequência, de suas riquezas alimentares. A obra Cabeças de Açúcar (foto), de Caetano Dias, e o objeto histórico “pão de açúcar” remetiam claramente ao Ciclo do Açúcar. O segundo, que deu origem ao nome de um dos pontos turísticos mais famosos do Brasil, era utilizado para cristalização do açúcar nos antigos engenhos.

A exposição trouxe a conexão essencial entre o que se foi e o que estamos vivendo. Alimentário falou de resgate, do elo que existe na cadeia produtiva do alimento. Elo esse firmado entre produtor e consumidor, matéria-prima e produto final, passado e presente.

Os saberes tradicionais, assim como os elementos da cultura alimentar brasileira foram trazidos à tona através de vídeos, textos e utensílios do baú. As raízes do Brasil foram exploradas e relembradas: a mandioca, o açúcar, o café. Os conhecimentos alimentares dos primeiros habitantes foram pontuados, dos índios, negros e imigrantes.

Paçoca, dendê e pipoca. A cozinha dos orixás também aparecia, em alusão à comida e espiritualidade, ao alimento e energia vital, à sobrevivência e prazer da alma.

O Brasil é miscigenado na população e na herança alimentar. Alimentário traçou uma verdadeira viagem por essa história, tão presente em nosso dia-a-dia, mas tão esquecida para a manutenção da cultura do povo brasileiro.

Comida é arte, de diferentes cores, tamanhos e produtos. A manifestação artística é o meio utilizado para afirmar o valor da história alimentar do nosso local, dessa brasilidade de que tanto se fala. É hora de enxergar a Gastronomia como patrimônio!

Crédito: Ana Laura Mosquera

Eu como cultura é um movimento que visa a aprovação de um projeto de lei para que a Gastronomia seja considerada Cultura no Brasil. Para que ele entre em votação, o abaixo-assinado precisa de 1 milhão de assinaturas. Colabore você também!

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