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Viver orgânico!

Publicado por em 14 mar, 2015 em Na tela | 0 comentários

Viver orgânico!

Orgânico vem do grego organicus, é relativo a organismo e organização. Ainda que a produção orgânica se estenda por todo o país, pouco se conhece na sociedade pós-moderna sobre ela. Apesar de ser alvo de recentes discussões e apelos midiáticos, não é de hoje que o alimento orgânico faz parte da produção agrícola local. Nesses cerca de 4000 anos de agricultura, apenas nos últimos cem é que a produção passou, em sua maioria, aos moldes atuais, com o uso de agrotóxicos.

Para a substituição de uma cultura agrícola milenar, os mais diversos motivos foram alegados. Um deles seria a necessidade de se produzir mais alimentos para uma população que crescia exponencialmente, incluindo uma grande parcela que já sofria com a fome. No documentário Brasil Orgânico (2013), produzido pela produtora contraponto, toda a problemática do fim da histórica produção exclusivamente orgânica é desvendada.  “Isso não era porque era melhor [o uso de agrotóxicos], era porque existia uma indústria química que não tinha mercado.”, comenta a agrônoma Ana Maria Primavesi. O que Ana quer dizer é que no período do pós-guerra, a indústria de armamentos perdeu mercado e viu na agricultura um bom consumidor para seus produtos.

A produção também desmitifica a chamada Revolução Verde, que apesar do apelo relativo à melhoria da produção agrícola mundial, não passou de uma maneira de os países desenvolvidos exercerem influência sobre a soberania alimentar dos países do Sul.

O documentário é também uma prazerosa viagem por esse imenso país, que é feito de diferentes paisagens, muita riqueza cultural e sotaques os mais variados possíveis. Na tela, passam diversos estados brasileiros e seus biomas, cuja preservação faz parte da filosofia orgânica. São diferentes produtos cultivados, de acordo com cada região. No Mato Grosso do Sul, a carne do gado criado solto na planície pantaneira; no Pará, o açaí e o palmito extraídos pelos ribeirinhos; no Rio Grande do Sul, as plantações alagadas de arroz. Distintos também são os tipos de produção, como a agricultura biodinâmica, a agroflorestal, além do extrativismo consciente e da pecuária extensiva com o uso de ração orgânica.

brasil organico

Na produção, também se fala sobre a importância da alimentação das crianças com produtos orgânicos, uma vez que seus organismos demoram mais tempo para absorver a mesma quantidade de agrotóxico que um adulto. Assim, a inserção desses alimentos e dessa consciência na educação infantil é de extrema relevância para a formação dos futuros consumidores, como é mostrado na escola Toca do Futuro.

Entretanto, a opção pelos orgânicos sofre com o caráter elitizado que se deu a esses alimentos, uma vez que a produção ainda é mais escassa que a convencional e a certificação, dispendiosa. Além do que, muitos enxergam barreiras na produção desses alimentos, por conta da maior suscetibilidade às mudanças climáticas, uma vez que não conta com a “proteção” dos insumos. Mas o agrônomo Ricardo Schiavinato esclarece essa dúvida “Produzir orgânico é mais difícil, no sentido do trabalho. Com o passar do tempo, é mais fácil, porque a natureza trabalha para você.”

Brasil Orgânico é uma produção documental de qualidade, seja por seu aprofundamento no tema, como por sua proximidade com as fontes. São Imagens inesquecíveis da vida no campo, do alimento saudável sendo consumido pela população, somadas a frases cruciais para se repensar o assunto. Uma delas é do agricultor Juarez Pereira, que diz “Tomar a decisão, isso é importante”. Essa serve muito bem para se dar o primeiro passo na luta por esse direito de se comer bem, pelo direito à vida.

Tão importante quanto a decisão de mudar, é o incentivo ao produtor, por parte dos órgãos certificadores dos orgânicos, do poder público e da população. No caso desse último, a conscientização é o que vale. Voltar a priorizar as principais necessidades humanas para a sobrevivência é fundamental para a renovação da saúde e do bem-estar das pessoas e do planeta “Fomos nós que construímos a sociedade, então nós podemos muda-la”, conclui a nutricionista Elaine de Azevedo.

*A frase do título é da empreendedora social Tatiane Floresti, que participa do documentário. Para ela, não basta comer o alimento orgânico, é preciso também viver de tal forma.

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