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Aroeira pimenteira

Publicado por em 19 nov, 2014 em Por aí | 0 comentários

Aroeira pimenteira

No último dia do Mesa Tendências, na palestra do Projeto Aroeira, apadrinhado pelo chef alagoano Wanderson Medeiros, a estrela do palco foi a Rita. Ela não só levou nosso sorriso, como a da música de Chico Buarque, como também nosso choro, fôlego e admiração. Rita Paula Ferreira da Conceição é uma das extrativistas da aroeira: a pimenta-rosa, como é conhecida no universo gastronômico.

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Antes de o projeto surgir, a Rita e os outros extrativistas de Piaçabuçu (AL) vendiam o quilo do produto a R$1,50 e dependiam dos chamados atravessadores. Hoje elas conseguem vender o quilo da pimenta-rosa por um valor cem vezes maior. E o chef Wanderson faz questão de ressaltar “Pode parecer que a gente está dizendo que eles inflacionaram isso, mas não. A pimenta ainda continua tendo um preço muito abaixo do preço de mercado. Eles conseguiram se livrar desses atravessadores e tem hoje talvez a melhor aroeira que é produzida no Brasil. Ela é selecionada grão a grão, um a um e é um produto de excelentíssima qualidade, com um preço muito bom.”

A ONG Instituto Ecoengenho, de Maceió (AL), foi a responsável pela idealização do projeto, capacitando os extrativistas, hoje envolvidos desde a extração até a embalagem do produto. Cerca de 200 famílias são beneficiadas pelo Projeto Aroeira. José Roberto da Fonseca, diretor presidente da ONG, conta que a visão do projeto é fazer a inclusão sócio produtiva da comunidade e romper seu ciclo de pobreza crônica, gerando renda sobretudo a mulheres, que antes se encontravam abaixo da linha da pobreza.

Segundo ele, o papel da ONG é o de ser um atravessador solidário, criando uma ponte entre os produtores, chefs e empresários, os tais nichos especiais de mercado. Para ele, a presença na Semana Mesa SP é fundamental tanto para a divulgação do produto como para sua aceitação no mercado. Quanto à parceria com o chef Wanderson, ele comenta “O que o Wanderson está fazendo com a gente é uma coisa de responsabilidade social, não é uma parceria meramente comercial. Ele já compra nossa pimenta para o empório dele, ele já incorpora nossa pimenta nos produtos do restaurante dele. Mas esse fato de comprar, não é só comprar a pimenta. Quando o Wanderson está comprando a pimenta-rosa do Projeto Aroeira, ele está comprando um projeto, ele está comprando uma ideia, ele está comprando talvez até uma revolução no modelo de fazer a inclusão. E é isso que a gente quer passar para mais chefs, para mais empresários que comecem a despertar essa consciência, não meramente da filantropia, porque é caridoso, mas que participem do processo.”

“Quando o Wanderson está comprando a pimenta-rosa do Projeto Aroeira, ele está comprando talvez até uma revolução no modelo de fazer a inclusão.” (José Roberto da Fonseca)

O próprio Wanderson concorda sobre a importância do chef como elo entre produtor e consumidor, “Quando o chef de cozinha vai lá e busca esse produtor, ele consegue divulgar e daí sim as pessoas vão usar muito mais esses produtos. E daí o produtor vai conseguir vender o que ele vem produzindo e ter estímulo para produzir cada vez mais. Os chefs de cozinha hoje tem um poder de convencimento gigantesco. Se a gente conseguir usar esse poder de convencimento sobre as pessoas de uma maneira que a gente vá ajudar alguém, isso é muito bacana”.

A partir da pimenta-rosa do Projeto, o chef Wanderson desenvolveu outros produtos com a matéria-prima: pele de aroeira, amêndoa tostada, amêndoa tostada moída, “curry” e caviar feito com o grão.

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Assim, a pimenta passa a ter novos usos, não só o de finalizar o prato, como se vê hoje em dia.  A maior variabilidade no uso da aroeira colabora para que produtoras como a Rita aumentem a renda familiar para, assim, sustentar a família e fazer suas próprias escolhas.

Rita conta que a capacitação trouxe também benefícios na hora da colheita, alterando a maneira de extração da pimenta, “a gente pegava o facão e derrubava as árvores. E aí a gente mudou totalmente isso, tem que preservar as árvores, tem que saber como é que a gente vai colher”.

José Roberto também pontua como o desenvolvimento do projeto trouxe melhorias para a qualidade de vida das mulheres da região, “É um avanço para aquela região, é um grande avanço com a mulher, com a liberdade que ela pode ter hoje, de ter a sua independência financeira. Esse é o nosso objetivo, fazer com que essas comunidades alcancem um patamar de erradicação da pobreza e não de mitigação da fome”.

A Rita é prova viva disso. No palco, emocionou a plateia ao contar sua história e as mudanças que o Projeto Aroeira trouxe para sua vida e de tantas outras famílias de Piaçabuçu. E a esperança é que gere frutos ainda melhores, principalmente com a divulgação no evento. “Está sendo maravilhoso vir para cá e divulgar. Espero que outras pessoas comprem, que a gente consiga um mercado para poder mandar de lá para cá, outros chefs também comprem a nossa pimenta, para melhorar cada vez mais na nossa vida”, conta ela.

Para descobrir mais sobre o Projeto Aroeira e saber aonde encontrar a pimenta-rosa de Maceió, acesse o site: http://www.projetoaroeira.com.br

 

 

 

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