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Rei do Pierogui

Publicado por em 2 out, 2013 em Destaques, Por aí | 0 comentários

Rei do Pierogui

É incrível como existem momentos que não apenas inspiram, eles são a própria inspiração. Foi com essa sensação que senti quando deixei a barraca do Tadeu, numa sexta-feira, em Curitiba. A dica do meu anfitrião Antonio Senkovski era a feira noturna da Praça da Ucrânia. A regra era comer o pierogui do Tadeu.

Ansiosa para provar o prato do Leste Europeu, eu cheguei à feira, que era bem mais movimentada do que eu pensava. Empanadas argentinas e chilenas, salteñas bolivianas, comida mexicana, entre outros pratos típicos. A mistura infinita de aromas aquecia o ar frio da noite curitibana. Pra completar a expectativa, a barraca do pierogui foi a última que encontrei. E nela, um senhorzinho muito simpático, o Tadeu. Com ele, o famoso pierogui.

Pierogui tradicional

O pierogui é uma espécie de pastelzinho cozido, com massa à base de trigo. O recheio do tradicional era de batata com ricota, com molho de champignon fresco. Não preciso nem falar o resto, não é mesmo? A combinação de sabores fala por si só. Além de tudo, havia mais do que ingredientes gostosos naquele prato. Tinha muita história também, do Tadeu e da sua família.

Na década de 1980, após duas semanas no Brasil, Tadeu e sua mulher foram impedidos de voltar para o seu país devido a uma lei polonesa. Foi quando Tadeu percebeu que Curitiba, com tantos imigrantes, não possuía barracas de comidas típicas nas feiras locais. Então ele deu início à tradição não só do pierogui, mas também foi o responsável pela difusão de outras culturas na feira da capital paranaense.

A equipe do pierogui

Trabalhando em família, com mulher e filhos, Tadeu toca a o negócio há cerca de trinta anos. Já há algum tempo, eles também introduziram o “sonho” no cardápio da barraca, nas versões goiabada, creme e doce de leite. Foi conversando com o Tadeu, depois de saborear o pierogui, que descobri que o sonho é um doce típico da Polônia.

Os bolinhos, de diversos recheios, eram feitos pelas mulheres dos soldados para eles levarem para as guerras. O nome em polonês significa “botão de flor”, pois o doce se abre como uma rosa para mostrar o que tem dentro. Por fim, ficamos divagando sobre o porquê do nome “sonho” em português.

A versão do Tadeu só podia ser a melhor. Para ele, tanto o doce como o botão de flor se abrem para algo novo e inesperado, assim como os sonhos. Pra fechar a noite, ganhei um sonho do Tadeu, de goiabada, recheio sugerido por ele mesmo. Voltei no ônibus me deliciando com o doce e refletindo… sobre a história do Tadeu, das tradições culinárias e da comida como identidade de um povo.

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