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Tendências, Américas e sustentabilidade

Publicado por em 9 nov, 2012 em EVENTOS | 0 comentários

A segunda manhã de programação do Mesa Tendências 2012 foi atribulada. Mesmo atrasada, consegui alcançar, na íntegra, a segunda palestra. Ninguém deve estar querendo acordar cedo, em meio a tantas atividades dos últimos três dias, como comentou uma participante do evento.

A verdade é que me agradou muito chegar a tempo da palestra de Paulo Kreff, idealizador do projeto Satisfeito e, fui saber somente no início da palestra, dono de nove restaurantes em São Paulo.

O projeto já soma uma série de empreendimentos parceiros na cidade e trabalha no combate à fome mundial. Nele, os restaurantes participantes se comprometem a servir em seus menus o prato “satisfeito”, que vem com dois terços da quantidade original, porém pelo mesmo preço. Dessa forma, o dinheiro resultante da economia na terça parte do prato é doado para ONGs cadastradas em todo o mundo, em prol da luta contra a fome.

Paulo Kress

O lançamento do projeto, no Brasil, acontecerá no dia três de dezembro no restaurante KAÁ.

Após mais um farto almoço, outra palestra pela qual estava esperando, a dos irmãos Alberto e Guilherme Landgraff, com o tema Etnobotânica e gastronomia: novas perspectivas. Alberto é chef e Guilherme desenvolve trabalhos de ecologia na Floresta Atlântica.

Gastronomia e sustentabilidade unidas em um evento, em uma só atividade, em uma só família. Guilherme iniciou a palestra falando sobre a necessidade de valorização da biodiversidade e da sua relação com a manutenção do conceito de gastronomia sustentável.

Interessado na conservação das espécies e irmão do chef Alberto Landgraff, expoente conhecido da nova gastronomia brasileira, Guilherme resolveu investir na ideia. Mais localmente impossível, iniciou o projeto com o irmão, que, não só prega a valorização da biodiversidade brasileira, como também do conhecimento popular, como afirmou o próprio botânico.

Ao final, o chef Guilherme elaborou alguns pratos com ingredientes locais, comprovando a eficácia da irmandade entre cozinha e meio ambiente, gastronomia e sustentabilidade.

Outro tema abordado na culinária das Américas foi a gastronomia argentina e suas tendências. Mais uma vez, o assunto sustentabilidade, valorização do local e resgate das tradições foi tocado. Os chefs argentinos Antonio Soriano e Matías Kyriasis falaram de tudo isso e mais um pouco.

Mas a grande atração da atividade foi a produção do prato com algarroba, um fruto de polpa doce ao redor de suas sementes, que se assemelha ao sabor do chocolate quando manipulado.

Por fim, a palestra que mais me surpreendeu no dia. Ainda que não ligada diretamente da sustentabilidade, pelo qual me interesso bastante e estava especialmente em alta nessa manhã, os irmãos Castanho foram outra família do dia que me encantou. Thiago e Felipe, como genuínos paraense, trataram do tema da culinária local de modo bastante atrativo e, ao mesmo tempo, descontraído.

Thiago e Felipe esbanjam tranquilidade, inclusive na fala mansa com que descreveram a gastronomia sob o olhar do Norte do Brasil, elaborando pratos de dar mesmo água na boca. Pratos de chef, de menu degustação, porém aparentemente mais fartos ou, no mínimo, com ingredientes que demonstram tal qualidade.

Irmãos Castanho

É essa minha conclusão sobre o motivo de ter gostado tanto da palestra dos meninos. A verdade é que a exposição dos ingredientes locais, de uma região próxima do rio, com seus peixes e frutos típicos, deu-se de forma, simultaneamente, sofisticada, autêntica e curiosa. Banana da terra, tucupi, açaí, tapioca, banho de cheiro. Nomes estranhos e novos pro meu cotidiano paulista, mas que com certeza tendem a perdurar na minha memória gastronômica e só fazem crescer a vontade de “conhecer o alimento” dessas outras terras.

 

Ana Laura Mosquera

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