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O fim (e o começo)

Publicado por em 1 nov, 2012 em Por aí | 0 comentários

O fechamento da Semana Gastronômica da USC foi mais agitado que qualquer contratempo com tomates concasse de uma oficina ou outra. Os seis chefs desafiadores e, ao mesmo tempo, desafiados a participar do Desafio Gastronômico já estavam bastante concentrados quando entrei pela primeira vez na cozinha/sala de aula.

Ao invés de carteiras, são bancadas com pias, fogões e utensílios culinários. E no lugar de alunos com os olhos grudados em seus professores (ou nos tampos das carteiras), temos futuros chefs de cozinha sendo observados por profissionais da área.

Observando e anotando, os chefs e professores do curso, Andre Kussu e Denise Amantini, eram os únicos ao redor das bancadas, enquanto nós nos contentávamos em sussurrar comentários num canto da cozinha. Eu aproveitava pra encher os alunos do primeiro ano de perguntas, que ali estavam igualmente ansiosos. Era estranho como eu me sentia uma intrusa e, ao mesmo tempo, tão ambientada naquele lugar que começava a cheirar comida com o passar dos minutos. Assim que os primeiros indícios de ingredientes se transformando em pratos começavam a aparecer, consegui, com permissão do coordenador do curso, adentrar este pequeno “universo dos chefs” e tirar umas fotos para o blog.

Em menos de uma hora, o primeiro prato escolhido para se “apresentar” estaria passando pela aprovação dos chefs, por olhares de pais e amigos apreensivos e, inclusive, pela lente da minha câmera. Aqueles seis pratos dos aspirantes a chefs de cozinha foram escolhidos a dedo. Em uma espécie de seleção prévia, alunos do segundo ano puderam ter a sorte de ser um dos seis a disputar o desafio anual e, além de prêmios, ganharem um primeiro reconhecimento no mundo da gastronomia.

E assim se desenrolou o Desafio. Entre provas de pratos pelos chefs, olhares misteriosos, comentários pertinentes ou não e certa angústia por parte dos alunos que não obtiveram o grand finale na execução de suas receitas. O tema do desafio seguia o da Semana: “O Encontro das Culturas”. Depois de ousar com ingredientes, texturas e influências do Brasil e do mundo, os desafiantes apresentaram pratos originais e saborosos. É, não foram só os chefs que provaram aquelas delícias. Nós também, porém com menos crítica e mais cheios de fome e curiosidade.

No final, entre nervosismos e algum choro sobre pratos em que algo deu errado, salvaram-se todos. Os alunos tiveram a oportunidade de passar por uma experiência primária de competição gastronômica e também aprender e reforçar dicas sempre bem vindas na arte de cozinhar. Os chefs puderam ensinar mais uma vez aos futuros companheiros de trabalho. Os que ali estavam para admirar, torcer ou simplesmente comer, restaram diferentes sensações, tenho certeza.

Já a mim restou de tudo um pouco. A sensação gostosa de provar sabores tão diferentes, de presenciar futuros chefs naquela cozinha, colocando para fora toda sua criatividade e amor por cozinhar, além da já latente vontade de seguir o mesmo caminho.

Uma vez, disseram que certos momentos na vida só servem pra aflorar algumas vontades e desejos reais. A oportunidade de acompanhar a programação de toda a Semana foi bastante prazerosa, mas só estando dentro da cozinha é que a ficha cai. Quando você percebe que é ali que você quer estar e palestras e oficinas têm grande importância para o preparar da receita, mas é só no momento em que você se depara com o seu bolo saindo do forno é que se dá conta do prazer que é cozinhar. É assim que me sinto. O fim do desafio é só o começo.

Ana Laura

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