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Ingrediente do dia: farinha a gosto

Publicado por em 11 nov, 2012 em Por aí | 0 comentários

A manhã do último dia do Mesa Tendências não começou agitada, porém bastante cheia. Havia uma atmosfera de última dia no ar e as pessoas, entre uma palestra e outra, corriam pra comprar os produtos que queriam antes que os stands se desmontassem. Nessas, deixei pro final e perdi de levar uma linda e deliciosa (é claro, provei) ricota defumada por míseros cinco reais. Mas enfim…

A primeira palestra que assisti no dia foi com certeza pra acordar, depois de passar quase uma hora e meia entre metrôs, estações e trem nas quatro últimas manhãs. Dessa, eu já esperava mesmo sair gratificada, Brasil: Suas farinhas e seus amidos, com a chef Ana Luiza Trajano, do Brasil a Gosto.

 

Farinhas e suas possibilidades

O Brasil a gosto já tem sete anos, em São Paulo, e trabalha com o resgate das técnicas gastronômicas nacionais e a valorização de ingredientes genuinamente brasileiros. Nessa palestra, a chef falou da importância das farinhas na cultura e na culinária local, destacando a farinha de milho e a de mandioca, uma vez que são produtos tipicamente sul-americanos. Como ressaltou, há uma valorização excessiva da farinha de trigo, que é originária do Oriente Médio e, portanto, não característica do clima do Brasil. Ana Luiza comentou ainda sobre os testes que tem feito em seu restaurante de substituição da farinha de trigo por outras, uma vez que desenvolveu uma aversão ao glúten há pouco tempo.

Ainda estão em fase de experiência, mas o sucesso já soa garantido, afinal, a persistência da chef não é mole não. O pão com massa de abóbora, com fécula de batata, polvilhos doce e azedo e gramixó (farinha de rapadura) ficou cerca de quatro meses “no forno” e hoje faz parte do couvert da casa.

Outra inovação sem trigo é o pastel de araruta (farinha baiana, utilizada para fazer bolachas e sequilhos, por ser leve) recheado com pirarucu e cará-roxo (ele é mais nutritivo que o cará branco, além de ser menos baboso). O pastelzinho já está sendo servido no restaurante, porém, como o forte de petiscos lá é o pastel, mais tentativas precisam ser feitas, para haver mais garantia na execução da comida, de acordo com a chef.

Um outro ingrediente utilizado por Ana Luiza e, como ela mesmo disse, considerado alimento ordinário por muitos chefs é o fubá. Com ele, sua assistente Ligia Tavares, que executou as receitas enquanto a chef discursava sobre as diferentes farinhas, elaborou uma sobremesa aparentemente muito saborosa (dessa vez, ficamos só na vontade: sem degustação). Crocante de fubá com creme de goiaba. Não preciso falar mais nada, não é?

Durante toda a palestra, Ana Luiza fez um apelo. Que as pessoas valorizem e demandem mais esses diferentes tipos de farinhas, vindas de diversos cantos do país, para que tais produtos permaneçam no mercado brasileiro e o produto nacional receba incentivo de sua população. O público parecia sonolento ao início da atividade e foi só nos últimos convites dela que pode-se ouvir o SIM mais convincente ao comprometimento com a valorização do produto nacional.

 

Ana Laura Mosquera

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