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Ao vivo e em (muitas) cores

Publicado por em 9 nov, 2012 em Por aí | 2 comentários

O Mesa Ao Vivo foi a parte do evento que dispensou apresentações e anotações, ao menos no meu caso. Extremamente dinâmico, a programação se iniciou na quarta-feira, dia 7, e termina hoje, com não menos atividades do que os outros dias. Infelizmente não poderei participar das aulas de hoje, pois quando o Ao Vivo começar, já estarei rumando para a estação de trem Jurubatuba (só no final fui aprender o nome) e, dali mais umas estações adiante, seguir com destino a Bauru.

Mas vamos ao que interessa: as atrações do Mesa Ao Vivo. Para mim, mais que isso, verdadeiros espetáculos, pois, ainda que não acontecessem num anfiteatro, as aulas práticas se davam no melhor palco, em minha opinião: a cozinha. Onde tudo começa, mas onde fomos parar só na tarde da terça. Por mim, estaria ali desde os preparativos para servir toda esse banquete da Semana Mesa.

Desabafos à parte, o Mesa Ao Vivo, em seu primeiro dia, me atraiu bastante. O evento, que conta com mais de 40 atividades por dia, acontecendo em uma área de 10 mil metros quadrados, traz chefs de todos os cantos do país em aulas práticas para os participantes. Bastante dinâmica e interativa, as aulas acontecem nas cozinhas e espaços pedagógicos do Curso de Graduação em Gastronomia do SENAC – Santo Amaro.

Acompanhando a execução dos pratos, sendo que cinco concorrerão à capa da Revista Prazeres da Mesa, todos viram alunos (e bastante curiosos, as perguntas surgem a todo o tempo) e, ao final, consumidores. Nos “resta”saborear um até que generoso prato degustação do menu da vez (com tanta comida que se prova aqui, qualquer prato um pouco maior se torna generoso).

Coincidências e descobertas

Foi em meio ao calor do fogão (e humano, pois as aulas estavam sempre cheias) que conheci o Chef Eudes Assis. Talvez fosse ignorância minha já não o conhecer (me disseram na platéia que ele era muito famoso), mas creio que o momento não poderia ser melhor, com ele cozinhando para nós (e conosco, acredito).

Chef Eudes Assis

De repente fui percebendo que a escolha aleatória da sala onde fui parar não foi em vão, no que diz respeito ao prato por ele preparado. Um peixe com banana verde, minha nova e atual paixão. Apesar de não comer com tanta freqüência, é um prato pelo qual, se fosse uma pessoa, eu diria que tenho tido muito apreço e gosto por comer. Prato típico do Litoral Norte de São Paulo, região da qual fiz parte por um tempo e para a qual volto matar a saudade (também da comida), nas férias.

E eis que surge outra coincidência, porém não distante de ser previsível: Eudes é o caçula de uma família de 14 irmão, natural de Camburi, em São Sebastião, cidade em que morei dois anos e meio. Ironicamente, não conheço Camburi, mas, naquele momento, muitas coisas me aproximaram demais daquele chef.

A vida na praia, o gosto pelo peixe, a banana verde do bloco da Dorotéia em Ilhabela, o bolinho de taioba (que conheci no quintal do mestre Rozê) e até a banana verde do bloco da Dorotéia em Ilhabela. Com a simpatia, o senso de humor e a história de vida não posso dizer que me assemelho, mas me agradaram e comoveram bastante. O menino que comia peixe porque era o alimento que o mar ofertava à família caiçara superou todas as expectativas e hoje, não tenho dúvidas, é um chef de alto valor para a gastronomia brasileira.

E agora, frente a chefs para os quais talvez o caminho à gastronomia tenha sido menos incerto, o Chef Eudes Assis finaliza delicada e seguramente seu prato. Peixe pargo inteiro assado, recheado com farofa de lula e camarão, enrolado na folha de taioba e acompanhado de mini arroz e compota de banana verde. Tive a oportunidade de ser a primeira a provar, ainda que estivesse no suposto final da fila. Apesar já ter comido tanto, o que já não era novidade aqui, provei com o maior gosto. Inúmeros fatores já me faziam simpatizar com o prato, como disse, mas a verdade é que estava bom mesmo. O melhor que comi na Semana Mesa todos esses dias. E fiz questão de ir contar para Eudes no final, quando a poeira parecia ter baixado, tanto que até combinamos de conversar para uma entrevista.

O aparente sinal de que Eudes estava livre para falar comigo durou pouco. Ele precisava montar um prato mais bonito que o primeiro (para mim, a disputa já estava ganha) para o fotógrafo transmutar em nova arte e, talvez, virar capa de revista. Nessas, perdi o chef. Mas logo depois encontrei seu auxiliar, Luciano, que, com toda boa vontade, me levou até a “cozinha dos chefs”. O nome soava como “ala proibida”, porém entrar lá foi mais tranquilo do que esperava. Na correria com suas receitas, ninguém pareceu notar minha presença e ali fiquei, só observando a montagem do (meu) prato favorito.

Mal conversamos, Eudes estava preocupado com a disposição do peixe, de seus olhos e da escolha do prato a ser usado para a apresentação. Com a ajuda dos auxiliares e do seu braço direito, a chef Simone, a obra de arte se materializou visualmente, uma vez que no sabor ela já não deixava dúvidas de sua grandeza. E aí foi aí que descemos todos: o chef, com o prato principal, e nós, com pequenas porções para os produtores da foto. Foi nesse momento que perdi Eudes, porém conscientemente. Não necessitava mais de sonoras, falas programadas e pontuações sobre certos assuntos. Já tinha tido meu momento importante com o chef, o que rendeu não só o maior texto da semana (acredito eu), mas também a vontade de lutar em nome de um sonho, quaisquer que sejam as barreiras que possam vir a aparecer.

 Ana Laura Mosquera

2 comentários

  1. Que lindo texto! Obrigado pelo carinho! Adorei te conhecer, depois que a correria acabou, perguntei pro Luciano de você, mais naquela multidão te perdi também!! Vamos marcar de se ver. Beijos. Eudes Assis.

  2. Oi, Eudes! Olha eu aqui respondendo comentários atrasados. Ainda bem que agora nos achamos no Facebook e fica mais fácil a comunicação… Mas gostaria de agradecer mais uma vez a oportunidade de conhecer você e sua equipe. Foram poucos minutos de grande satisfação que tive na Semana Mesa! O desencontro fez parte da experiência, acredito. Espero que nos reencontremos em breve para falar sobre a maravilha que é cozinhar. Abraços, Ana.

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