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O que vi na Mostra Gastronômica

Publicado por em 3 jun, 2012 em Por aí | 0 comentários

A Mostra Gastronômica da USC foi, literalmente, uma delícia. Muita gente indo e vindo com cada prato… Foi uma sinestesia sentir tanto cheiro gostoso, ver cada comida bonita. Alguns restaurantes da cidade estiveram presentes confeccionando com primor suas melhores receitas. Mas, o que me chamou a atenção foi a presença de duas barraquinhas em especial. Nada de placas requintadas indicando a especialidade da casa; nada da serenidade estampada em rostos riscados pelo tempo que vi no stand dos mais experientes. O que vi ali, naquelas barraquinhas cheias de jovens estudantes de gastronomia foi muito de criatividade, talento e vontade de aprender.

 

 

Que coisa bonita tudo aquilo, ver todos eles se ajudando, vendendo seu peixe das maneiras mais divertidas, recebendo os clientes e explicando com paciência as dúvidas que surgiam em torno nas combinações. O Brigadeiro Gourmet de Caipirinha, por exemplo, feito pela turma de Gastronomia Matutino, foi o campeão. Inquietou tanto o paladar comum que foi o primeiro a acabar, tamanha curiosidade daquela gente nessa combinação brasileiríssima.

 

Já a turma da noite apostou na Gastronomia Oriental, acertando em cheio na escolha do prato: Rolinho Primavera com refogado de legumes e carne com molho agridoce. A barraquinha, sempre cheia, já denunciava o sucesso. Além do preço acessível, R$3,00 cada unidade, achei interessante a escolha dessa receita por ser um alimento prático – não necessita de talher; e super viável de ser comercializado em pontos móveis da cidade. O Rolinho é uma espécie de “pastel”: dá pra saborea-lo de pé mesmo, como entrada, como prato principal. Sua versatilidade se encontra na potencialidade dos recheios: legumes, carnes, queijo, goiabada. Tudo combina com a massa, uma espécie de folheado um pouco mais resistente, que faz um barulho incrível quando mordemos.

Cada stand universitário tem a orientação de um docente. Quem guiou os trabalhos da turma da noite foi o Chef André Kussumoto.

Formado há 10 anos, leciona na USC e em outras instituições da cidade. Descendente sansei, aprendeu muita coisa em casa: foi com sua avó que aprendeu os pratos mais tradicionais de seu país, receitas que a gente não encontra tanto aqui no Brasil. “A concepção de comida oriental no Brasil é totalmente diferente da tradicional.” André passou quatro anos se especializando na cozinha oriental, o que fez com que ele entendesse a relação que os orientais tem com o alimento, com a maneira de cozinhar e de comer.

Questionei o chef a respeito das adaptações que surgem nos restaurantes orientais – e que ingenuamente copiamos. O chef responde: “a abrasileiração é válida, é uma maneira de divulgar e de expandir a cultura japonesa”.

Sai de lá, naquela noite fria bauruense pensando muito sobre o assunto. A gastronomia é tão viva e orgânica quanto nós: se modifica e se transforma com o ser humano, refletindo a geração multicultural que somos.

 

Paula

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