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Sobre aquilo que inspira

Publicado por em 16 maio, 2012 em Por aí | 0 comentários

Está acontecendo na USC a Semana de Gastronomia, que vai do dia 14 ao dia 17 de maio, promovendo um encontro entre estudantes, pesquisadores, convidados, palestrantes, restaurantes locais. Nesse espaço acontecem workshops, palestras, desafios gastronômicos, gerando troca de conhecimento e experiências. Para que gosta de gastronomia, é um prato cheio (não pude evitar o trocadilho, rs!). Como não deu para irmos mais cedo para o evento, que começava às 14h, perdemos o workshop de pães da Meeta Ravindra, personalidade que vim a conhecer mais tarde e, justamente por isso, me causou uma série de arrependimentos…

O workshop que Meeta ministrou durante a tarde, “Culinária Indiana: sabor com arte” abordou a gastronomia indiana de forma geral, focando nos temperos, nos pães, nos pratos mais típicos de sua região.

Durante a noite, Meeta palestrou sobre “Temperos e Segredos da Culinária Indiana: uma viagem de cores, sabores e cultura”. Justamente pelo fato de nós acidentais pouco conhecermos a cultura Indiana, Meeta fez questão de nos apresentar seu país em todos os aspectos. Falou, por exemplo, sobre a superpopulação do país, sobre a variedade de dialetos existentes, sobre o ritual do casamento, sobre os adornos das mulheres. A cultura indiana se mostrou muito rica, plural, extensa, espiritual, que não poderia ser definida em duas horas de exposição.

Espiritualidade é outro tema a ser muito desenvolvido aqui ainda antes de falar sobre gastronomia indiana. Sem falar sobre o ritual, sobre os deuses, sobre os temperos, sobre o amor, é impossível falar sobre a comida que eles fazem. Hoje, cada vez mais comemos fora, visitamos poucas feiras, consumimos poucos produtos frescos e naturais. Porque comprar o milho enlatado se há o milho em espiga, mais saboroso e mais nutritivo? Porque comprar congelados, semi-preparados, massas instantâneas? São perguntas que me faço sempre quando me deparo com esse assunto. A comodidade toma conta da nossa rotina, nossos hábitos se tornam cada vez mais dependentes de produtos fáceis, que não exigem muito contato energético e espiritual de quem os consome.

Amor. O amor na feitura do alimento que nutre a família, que reúne os amigos, que comemora as passagens. É sobre amor que aquela mulher falou durante toda a palestra: sobre o amor de lavar uma louça, sobre o amor de colocar a mesa, sobre o amor de servir. Aquela mulher esconde seus 60 anos atrás de muito de amor, de muita entrega e verdade. Seu segredo na cozinha não é escolher um tempero ou outro, é a intensidade da entrega. Acredito nisso, nesse poder da transformação do alimento depender da energia que carregamos para dentro dele.

Sobre a culinária em especial, me interessei pela parte na qual ela fala sobre a paixão dos indianos pelos condimentos. Adoro comida condimentada, forte, de personalidade. E Meeta nos disse que a culinária indiana tem muito disso, de mistura, de cheiros, sabores bem distintos. Um bom exemplo disso é o mirch pokora, petisco típico feito com pimentas empanadas. Ou a aparente simplicidade de um chapati, pão indiano que promete casar mulheres. Quiabo também existe na Índia, e ele é o ingrediente principal do Bhindi Sabzi, prato condimentado com especiarias e tomate. E por falar em ervas especiais, Meeta nos contou que cada mulher tem seu “kit” pronto para temperar pratos feitos fora de casa. É sobre personalidade que falamos mais uma vez. E cada uma faz questão de manter sua marca, seu registro.

No final da palestra, entrevistamos Meeta por cinco minutinhos, mas, honestamente, seria injusto colocarmos aqui pouco do tanto que ela ainda tem para nos dizer.

Paula Machado

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